
Blaster em ação.
Há exatos 10 anos a Microsoft começava a
vender o Windows XP no varejo. O sistema já estava sendo distribuído pré-instalado em computadores de parceiros, mas para quem tinha uma máquina e queria sair do suplício que era o Windows Me, foi esse o dia da redenção.
Na época, com direito a
uma grande festa comandada por Bill Gates numa Nova Iorque que ainda juntava os cacos do pós-11 de setembro, as promessas que sempre se renovam a cada novo Windows foram, dentro do esperado, refeitas. Sistema mais rápido, mais confiável, mais bonito e menos suscetível a falhas. Naquela vez, porém, as mudanças
foram pra valer e, não é exagero dizer, as maiores desde a reforma completa pela qual o Windows passará meia década antes, no Windows 95.

O grande trunfo do Windows XP foi deixar de lado o kernel que até então movia a versão para uso doméstico (versões 95/98/Me) e abraçar irrestritamente o
kernel NT, naquela época restrito às versões para servidores, como Windows NT 4 e Windows 2000. A mudança acarretava maior consumo de memória, o que foi um problema considerando-se que, àquela altura, um PC médio saía das lojas com, quando muito, 128 MB de RAM; mas em vez de estagnar a venda do sistema operacional, como o que aconteceria com o Vista alguns anos mais tarde, o Windows XP deu início a um aumento expressivo nas vendas de PCs. Não por “culpa” exclusivamente sua, mas não fosse um bom sistema, nem a economia, nem o barateamento do hardware conseguiriam tal feito.
A bem da verdade, em sua versão RTM o Windows XP carecia de várias qualidades que, anos depois, foram importantes para postergar a sua aposentadoria ante os sucessores, Windows Vista e Windows 7. A Microsoft ainda tratava as atualizações do sistema como meramente opcionais, sem ressaltar esse ponto crítico ao usuário médio. Havia desde o primeiro dia, pela primeira vez no Windows, o
sistema de ativação que, claro, foi quebrado antes mesmo do lançamento. A falta de drivers para Windows XP acarretou muitas telas azuis de morte e inconsistências no desempenho.
Mesmo assim, o Windows XP era um relento ante o horrível Windows Me. Só o fato de não ser obrigado a reiniciar o sistema com algumas horas de uso já fazia valer o upgrade. O NT, que durante algum tempo foi considerado um acrônimo de “New Technology” para fins de publicidade, não tinha essa alcunha à toa.
Pode-se dizer que a história do Windows XP se divide entre antes e depois do
Service Pack 2, lançado em agosto de 2004. O segundo pacote de correções foi além e trouxe diversas melhorias reais ao sistema operacional, como suporte ao Bluetooth, bloqueador de pop-ups no Internet Explorer 6, firewall mais robusto e, talvez a maior contribuição, ênfase pesada nas atualizações do sistema providas pela Microsoft.
O SP2 surgiu num momento posterior ao estrago causado pelo Blaster, uma falha no Windows que desligava o sistema do nada após sobrecarregar o serviço
RPC. E como a contaminação ocorria sem qualquer intervenção do usuário… foi uma situação singular na computação pessoal. Ah, e detalhe: quando a disseminação do Blaster teve início, a Microsoft já havia liberado uma correção para o Windows XP que sanava o problema, no boletim MS03-026. Prova de que, naquela época, atualização do sistema era coisa restrita a, quando muito, clientes corporativos.
O Windows XP foi a versão do Windows que mais tempo permaneceu com o status de atual,
do final de 2001 até janeiro de 2007, quando o super atrasado Vista deu as caras. Também foi das que tiveram o maior número de variações, incluindo algumas decorrentes de processos antitruste sofridos pela Microsoft — na Europa, a edição
“N”, sem Windows Media Player; na Coreia do Sul, as edições
“K” e
“KN”, sem Media Player e Windows Messenger; em países emergentes (e somente neles), a limitadíssima edição
Starter. Coloque na conta, ainda, a
Professional x64 (primeiro Windows doméstico para processadores 64 bits),
Media Center Edition (com o Windows Media Center e um tema/visual style diferente),
Tablet PC Edition, para ser usado em tablets; e
Embedded, para sistemas embarcados, sem falar nas tradicionais,
Home e
Professional.
Ainda hoje o Windows XP é largamente usado. Foi apenas neste mês, por coincidência, que um dos seus sucessores, o Windows 7, ultrapassou a base instalada do XP.
Dez anos depois. Apesar de hoje obsoleto ante os avanços de hardware e software, o Windows XP teve papel fundamental na história da computação. Foi o primeiro sistema operacional de muita gente, o talvez primeiro Windows que, depois do Service Pack 2 e bem configurado, parou de dar erros inexplicáveis e fazer o usuário gastar mais tempo resolvendo problemas do PC do que os seus próprios.